segunda-feira, 5 de março de 2012

A arrogância humana, por Lars Von Trier.

Lars Von Trier não é um cara muito crente na felicidade e na bondade das pessoas. E isso o cineasta escancara em quase tres horas do filme Dogville (2003), que são como constantes chutes no estômago.
Tudo começa quando Grace (Nicole Kidman) chega na pequena cidade de Dogville fugindo de gangsters. Para ficar lá ela precisa mostrar aos moradores que realmente é uma pessoas confiável e que merece ser acolhida na cidade. A bondade que ela passa a ter com as pessoas logo começa a ser uma obrigacao e de repente ela se ve escrava (no real poder da palavra). O que era pra ser um ato de solidariedade de um povoado logo se transforma na maneira mais cruel de se tirar proveito de uma situação que cada vez parece ter menos saida.
Pessoas que antes pareciam ser tão solícitas e civilizadas comecam a mostrar que podem muito bem mostrar o lado mais selvagem. Até mesmo Tom, o  morador que parecia mais preocupado e disposto a ajudar acaba criando todo o mal ao povoado e a ela. E não tem dúvidas em mudar totalmente o seu comportamento para não carregar nenhum tipo de culpa. O "amor verdadeiro" que dizia sentir logo é substituido pelo egoísmo.
Em um cenário feito dentro de um galpão, com desenhos no chão parece um teatro filmado. O filme é o primeiro da trilogia "E.U.A. Terra de Oportunidades". Com a trilha sonora presente apenas no final da obra com David Bowie e seu "young americans".
Tentando fugir dos bandidos ela caiu em mãos piores: de pessoas arrogantes "altruístas",  que no fundo so queriam se aproveitar. É Lars Von Trier mostrando a mesquinharia e o egoísmo humano. Mesmo sendo o máximo que aquela gente podia oferecer nas circustâncias, não era bom o bastante. Ou o melhor: foi o pior delas. E até mesmo a atitude de assumir um defeito não faz isso ser coragem, mas ao contrário: reforça a covardia e a falta de caráter em tentar mudá-lo. Dogville provoca nossos instintos mais cruéis. E nos faz sentir bem.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A velha Marilyn e os aproveitadores de sempre


Interessante o livro "Minha semana com Marilyn", que virou filme  (Sete dias com Marilyn) e concorre ao Oscar de melhor atriz (Michelle Willians) e ator coadjuvante (Kenneth Branagh). O diário feito nos anos cinquenta, e publicado quarenta anos depois, foi adaptado para as telonas e é dirigido por Simon Curtis  e conta a historia vista por um assistente nos dias tumultuados nos quais toda uma equipe acompanhou a odisséia da mais famosa atriz do mundo gravando o filme “The prince and the showgirl”. Toda a inseguraça e os caprichos dela, os constantes problemas em chegar no horário, decorar falas, os interessados nas crises da estrela,  os comprimidos para dormir, os sangue-sugas da tristeza alheia e é claro os grandes produtores e mercenários de Hollywood, que querem a alma das pessoas, custe o que custar. 
Outra vez o comportamento tão carente e difícil de Norma Jean é relatado, o medo de ser abandonada, a forma com que precisava ser paparicada por todos e como precisava constantemente saber que era amada, inclusive pelos homens que estavam com ela apenas para mostrar o troféu. Na minha opinião muitos fatos relatados ali, inclusive conversas com a própria estrela foram aumentadas, ou talvez inventadas. Enfim, é mais uma oportunidade de relembrar Marilyn.
Espero que o filme consiga mostrar os episodios descritos com toda a sutileza e facilitade contados no livro, que  nada mais é do que outro aproveitador. Apenas outra pessoa que falou com o maior símbolo sexual dos últimos tempos e precisou contar isso ao mundo. Quem não faria? Já dizia Marilyn: "Os cães nunca me morderam. Só os homens." Pobre Marilyn, só queria ser amada.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

" mas a Mônica queria ver um filme do Godard..."

Quem acha, assim como eu, que os filmes blockbusters tem muito espaço e tempo de exibição aqui em Porto Alegre sempre tem outras opções. Uma delas é a mostra do cineasta francês Jean-Luc Godard que acontece na sala redenção, no Campus central da UFRGS. E o melhor: é de graça.

Para conferir a programação é só entrar no site:

sábado, 11 de junho de 2011

Festival Varilux de Cinema Francês



Começou nessa semana o festival de cinema francês simultâneo (de 08 a 16 de junho) em 30 cinemas de 22 cidades, distribuídas em 17 estados brasileiros. Em Porto Alegre o evento acontece no cinema Unibanco Artplex Bourbon ( No Bourbon Contry) e vai exibir dez produções francesas inéditas. Entre elas está o longa  que reune  os famosos veteranos Gerárd Depardieu a belíssima Catherine Deneuve na comédia "Le Potiche- esposa trofeu", de François Ozon.
Vale a pena conferir. O do ano passado, que aconteceu em 9 capitais do país, reuniu mais de 25.000 espectadores foi muito legal.
Neste ano os filmes que passaram pelo circuito de festivais internacionais tem a participação de atores consagrados como Catherine Deneuve, Gerárd Depardieu, Audrey Tautou, Sandrine Bonnaire, entre outros.
Voilá et profites-en!!!!


Mais informações no site do festival: http://www.festivalcinefrances.com/programacao.php?id=8

sábado, 28 de maio de 2011

Premiados no festival de Cannes 2011

Segue a lista completa dos ganhadores do festival de Cannes na edição deste ano:

Longas-Metragens

Curtas-Metragens

 
Para assistir a todos os trailers dos filmes que competiram, clique aqui : http://www.festival-cannes.fr/pt/trailers.html
 
 
 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bernardo Bertolucci é homenageado no Festival de Cannes

De cadeira de rodas, mais velho, diferente do diretor que estávamos acostumados a ver.
Mas isso não impediu Bernardo Bertolucci de continuar exercendo sua paixão pela sétima arte. Ele abriu nessa quarta-feira a 64ª edição do Festival de Cannes, com uma cerimônia tradicional antes da exibição do filme de Woody Allen "Meia-noite em Paris". O cineasta italiano (diretor dos sonhadores, beleza roubada entre outros) recebeu uma Palma de Ouro inédita, como homenagem pela carreira de diretor, apesar de nunca ter vencido o festival.

"Eu esperei um pouco, mas vou ter minha Palma de Ouro", celebrou, aos 70 anos, o diretor de "1900" e "Conformista" no placo do Palácio dos Festivais. O prêmio foi entregue pelo presidente do festival, Gilles Jacob. Locomovendo-se com a ajuda de uma cadeira de rodas em decorrência de um problema na coluna, um Bertolucci visivelmente emocionado dedicou o prêmio a "todos os italianos que ainda têm força para lutar, criticar e se indignar".

O presidente do júri, Robert De Niro tentou se expressar em francês: "Obrigado por terem me convidado, para o 75... 64º (sic) Festival de Cannes. "Espero fazer um bom trabalho e, mais uma vez, obrigado", declarou De Niro, aclamado pelos seletos espectadores: entre eles personalidades como o ministro francês da Cultura, Frédéric Mitterrand, a atriz italiana Claudia Cardinale, o ator americano Antonio Banderas e o diretor Woody Allen, entre outros.

A cadeira de rodas de Bertolucci, usada desde uma operação mal sucedida na coluna, se transformou em mais um instrumento para continuar fazendo cinema: "comecei a perceber que mesmo em uma cadeira de rodas podia imaginar os deslocamentos de câmera, principalmente de dolly (travelling ou grua de aproximação)", disse, antes de acrescentar : "Se vocês assistirem aos meus filmes, sempre há movimentos de dolly. Por isso fui punido".


Bernardo Bertolucci volta à projecção de uma cópia restaurada de Il Conformista nesta 64ª edição:
“Estou muito feliz porque Il Conformista não era projectado há muito tempo. Para o respectivo restauro, confiei totalmente na equipa técnica. Pergunto-me aliás se, em vez de restaurarem um dos meus filmes, não seria melhor terem-me restaurado a mim! O mais interessante neste filme, é que para fazer como toda a gente, o conformista tem que se tornar fascista!".

O cineasta recorda-se da recepção de Prima Della Rivoluzione (1964), o seu primeiro filme apresentado em Cannes, bem como da sua vinda para Novecento (1976):
“Recordo-me que Prima Della Rivoluzione foi massacrado pela crítica italiana. Em contrapartida, os jornalistas franceses adoraram. Quanto a Novecento, não desejei que o filme fosse apresentado em Competição. Achava que era demasiado longo e muito à Hollywood. Costa-Gavras, então membro do Júri, disse-me que se tivesse estado em Competição, teria ganho a Palme d’or!”.

Bernardo Bertolucci evoca a filmagem de O Último Imperador (1987):
“Talvez tenha sido a experiência mais extraordinária da minha vida. Não conhecia a China e vi-a mudar sob os meus olhos. Nas ruas de Pequim, vi sorrisos exibirem-se pouco a pouco nos rostos das pessoas”.

O realizador fala do seu projecto de filme em 3D:
“Vi o Avatar e sou fascinado pela 3D. Por que motivo deverá estar ligada apenas ao género da ficção científica? Persona (1966), de Ingmar Bergman, teria ficado extraordinário em 3D”.

Analisa por fim o cinema italiano:
“Conserva esta herança que lhe vem do novo realismo, mas trabalha mais a partir de agora sobre a estrutura, a linguagem, e coloca finalmente a questão do que é o cinema”.


Bernardo Bertolucci, de 70 anos é o primeiro cineasta a receber o prêmio, criado em ocasião da 64ª edição e que será entregue todos os anos a um importante diretor que nunca ganhou a Palma de Ouro.
Muito merecida.

Com informações do site oficial, Estadão e Correio do povo.